Mesmo após fim do prazo, PF ainda não conclui inquérito sobre suposta compra de votos que cita David Almeida

  • 14/07/2026
(Foto: Reprodução)
PF ainda não conclui inquérito sobre suposta compra de votos que cita David Almeida A Polícia Federal (PF) ainda não concluiu o inquérito que apura uma suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Manaus, mesmo após o fim do prazo de 90 dias concedido pela Justiça Eleitoral para a conclusão das diligências. A investigação cita o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, além de pastores ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil e Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do político. O pedido de prorrogação foi feito pelo delegado responsável pelo caso em março deste ano, e contou com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral. A autorização do juiz saiu no início de abril. O prazo terminou no dia 8 de julho, mas, até o momento, o inquérito segue sem conclusão. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O caso tramita na Justiça Eleitoral sob o número 0600044-07.2024.6.04.0002, de maneira pública, e pode ser consultado por qualquer pessoa no site do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). Fonte relata demora da investigação Uma pessoa que afirma conhecer o funcionamento dos fatos investigados aceitou falar à reportagem da Rede Amazônica sob condição de anonimato. Segundo a fonte, a demora na conclusão do inquérito causa indignação. “A gente fica indignado porque eles fizeram o que fizeram. As provas estão todas aí. A gente não entende por que até hoje ninguém foi preso”, afirmou. A fonte também relatou que os pastores investigados exerciam papéis distintos dentro da estrutura da igreja e que as tratativas relacionadas à distribuição de valores ocorreriam em reuniões realizadas fora da instituição religiosa. Segundo o relato, o pastor Bernardino Gomes atuava como secretário de uma diretoria da igreja, enquanto Eliezer Souza, que também é pastor, seria um dos responsáveis pela articulação investigada. Ainda conforme a fonte, os contatos com Gabriel Alexandre da Silva Lima teriam sido intermediados pelos próprios pastores. As declarações representam a versão da fonte ouvida pela reportagem e não constituem conclusão da investigação da Polícia Federal. PF ainda pretendia ouvir três investigados Em documento encaminhado à Justiça Eleitoral, a Polícia Federal informou que ainda pretendia ouvir os pastores Bernardino Gomes e Eliezer Souza, além de Gabriel Alexandre da Silva Lima. Eles aparecem juntos em uma foto anexada aos autos da investigação. Gabriel Alexandre e Flaviano Negreiros ao lado de outras lideranças religiosas durante reunião que, segundo a PF, teria sido feita para articulação de apoio a reeleição do Prefeito de Manaus, David Almeida. Reprodução/Polícia Federal Relembre o caso A investigação teve início na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024, quando a Polícia Federal recebeu uma denúncia acompanhada de uma mensagem atribuída à direção da igreja, orientando pastores que votavam em Manaus a comparecerem a um imóvel no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte da capital, em data e horário específicos. Dois policiais federais foram até o endereço para verificar a denúncia. Em depoimento à polícia, um dos agentes afirmou ter encontrado uma mochila e uma sacola contendo diversos envelopes brancos, cada um com R$ 200 em dinheiro. Outro policial relatou que as pessoas presentes informaram que os valores haviam sido entregues na noite anterior para serem distribuídos naquela manhã. Segundo o depoimento, o grupo afirmou que havia recebido R$ 38 mil para distribuição. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 21 mil em espécie e quatro celulares. Conforme os depoimentos colhidos pela investigação, o dinheiro encontrado seria parte dos R$ 38 mil que teriam sido recebidos de pessoas ligadas à campanha do então ex-prefeito David Almeida. Os mesmos relatos apontam que os valores teriam sido levados ao local pelo pastor Eliezer Souza. Na ocasião, dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante: Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ex-presidente e vice-presidente da instituição. Os dois pagaram fiança de R$ 15 mil cada e passaram a responder ao inquérito em liberdade. Prefeito de Manaus aparece em inquérito da PF que investiga denúncia de compra de votos Dos quatro celulares apreendidos, dois foram devolvidos aos proprietários após a perícia não identificar elementos considerados relevantes para a investigação. Os outros dois permaneceram sob análise da Polícia Federal. O laudo pericial dos celulares apreendidos durante a operação foi juntado ao processo apenas em março deste ano, dias depois de reportagem mostrar que o resultado da análise técnica ainda não havia sido encaminhado à Justiça Eleitoral. Após a inclusão do documento nos autos, o delegado responsável solicitou mais 90 dias para concluir as diligências. O pedido foi aceito pela Justiça Eleitoral, mas o prazo expirou sem que o inquérito fosse finalizado. Perícia identificou mensagens Nos aparelhos analisados, a Polícia Federal identificou trocas de mensagens e áudios entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima, casado com a afilha de David Almeida. O laudo também descreve uma fotografia apenas como a de uma “pessoa palestrando”. Segundo a fonte ouvida pela reportagem, o homem retratado seria César Marques, presidente do partido Agir no Amazonas. Ele também aparece em outra foto ao lado de Gabriel Alexandre da Silva Lima e dos pastores citados na investigação. A fonte afirmou que César Marques participou de uma reunião para falar sobre política e pedir votos. Prints mostram líder religioso cobrando valores prometidos por genro do prefeito de Manaus para apoio durante eleição de 2024 Divulgação/PF O que dizem os citados A reportagem da Rede Amazônica procurou David Almeida, Gabriel Alexandre da Silva Lima, os pastores Bernardino Gomes e Eliezer Souza, César Marques e a direção da Igreja Pentecostal Unida do Brasil para que se posicionassem, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A Rede Amazônica também solicitou entrevista à superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Danielle Mady. Segundo a assessoria de comunicação da instituição, a manifestação seria encaminhada por meio de nota. A reportagem enviou quatro questionamentos à Polícia Federal, entre eles sobre os motivos da demora na conclusão do inquérito e o cumprimento das diligências pendentes. Até a publicação desta reportagem, as perguntas não haviam sido respondidas. O Ministério Público Eleitoral também não se manifestou sobre o caso. O promotor Jorge Damasceno, que se manifestou favoravelmente ao pedido da Polícia Federal para prorrogação do prazo das investigações, informou que não concederia entrevista. Já o TRE-AM afirmou que não comenta processos em tramitação. Ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) Semcom

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/07/14/mesmo-apos-fim-do-prazo-pf-ainda-nao-conclui-inquerito-sobre-suposta-compra-de-votos-que-cita-david-almeida.ghtml


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